Morta de amor

Eu, que sou sombra de mim mesma,
Amo em silêncio uma luz que não me vê.
Seus olhos, janelas para um mundo alheio,
Passam por mim como vento em folhas mortas.
Ah, este desejo que me consome,
Não de possuir, mas de me dissolver!
Quero morrer, sim, para que o nada me abrace,
E o amor, esse eco vazio, se cale enfim.
Na rua da minha alma, chove eternamente,
E eu caminho só, molhado de ausências.
Ela, distante, é o sol que não me aquece,
E eu, mendigo de sonhos, peço a morte como esmola.
Que venha o fim, sem trombetas ou glórias,
Apenas o silêncio, o esquecimento puro.
Pois amar assim é viver já morto,
E morrer é, talvez, o único amor correspondido.

Aqueles olhos

Aqueles olhos... ah... meu Deus, aqueles olhos
tão belos quanto as estrelas no céu
tão profundos quanto a imensidão do universo
ah!... aqueles olhos...
que me olham e eu já não sei quem sou
Aqueles olhos, os quais me perco,
se nem pensar em como voltar.
Os olhos que me fizeram enxergar o amor
que a muito tempo n via...
Aqueles olhos que me fazem ver,
que ainda a beleza na vida.
Ah, meu Deus... me deixa lá, e la que quero ficar,
porque neles eu me perco de propósito
e acho tudo que sempre procurei
naqueles olhos...
só de lembrar já me dispara o peito inteiro
já sinto falta até do que ainda nem vivi

A ti, Sol

Sol, eu te chamo assim porque foi o primeiro nome que me veio quando você nasceu dentro de mim.
Antes de ti eu só tinha sombras, um céu sem cor, um coração que batia por bater.
Nada, nunca, se comparou ao que você acendeu aqui dentro...
Eu te amo, sol.
Amo sem dizer teu nome de batismo, porque teu nome verdadeiro e luz,
n ousarei referir-se a sim do nada sem mais nem menos...
a verdade e que sou covarde e doe-me lembrar...mas de qualquer maneira nao ousaria esquecer-te
Mas a gente sabe, né? O céu é cruel com quem nasceu pra brilhar junto.
A lua e o sol foram condenados a se quererem de longe, a se cruzarem só de raspão,
a se despedirem antes mesmo de se tocarem por inteiro.
É lei antiga, escrita antes das estrelas aprenderem a piscar. Ainda assim eu fico aqui, contando os dias como quem conta as horas pro fim do mundo,
esperando o próximo eclipse. Aquele minuto raro em que o universo esquece as regras,
em que a lua cobre o sol e, por um segundo bendito, a gente pode ser um só corpo no céu.
Quando chegar esse dia, sol, eu não vou pedir licença pro tempo.
Vou te abraçar inteiro, vou te beijar até apagar o dia,
vou guardar teu calor no meu peito escuro pra aguentar todos os outros dias em que a gente tiver que fingir que não foi feito um pro outro. Até lá, me espera brilhando.
Eu te espero aqui, olhando pro céu toda noite, como quem reza sem saber as palavras certas.
Te amo, sol.
E que venha logo o próximo eclipse pra eu poder te encontrar de novo sem que ninguém consiga nos separar.

Não quero, mas me apaixono

Eu me esforço tanto para não sentir isso,
Essa paixão que se agita contra a minha vontade
É como um incêndio florestal, queimando forte
Incendiando emoções que não consigo controlar.
Digo a mim mesmo para mantê-la sob controle,
Mas o coração tem seus próprios planos teimosos.
Estou com raiva desse amor que não cede,
Recusando-se a obedecer às minhas ordens.
Luto contra a atração, dia e noite,
Mas ela persiste, uma força insistente.
Este amor indesejado, uma amarga situação,
a qual não me deixa esquece-la.

Aqueles olhos

Aqueles olhos