Eu, que sou sombra de mim mesma,
Amo em silêncio uma luz que não me vê.
Seus olhos, janelas para um mundo alheio,
Passam por mim como vento em folhas mortas.
Ah, este desejo que me consome,
Não de possuir, mas de me dissolver!
Quero morrer, sim, para que o nada me abrace,
E o amor, esse eco vazio, se cale enfim.
Na rua da minha alma, chove eternamente,
E eu caminho só, molhado de ausências.
Ela, distante, é o sol que não me aquece,
E eu, mendigo de sonhos, peço a morte como esmola.
Que venha o fim, sem trombetas ou glórias,
Apenas o silêncio, o esquecimento puro.
Pois amar assim é viver já morto,
E morrer é, talvez, o único amor correspondido.
Aqueles olhos... ah... meu Deus, aqueles olhos
tão belos quanto as estrelas no céu
tão profundos quanto a imensidão do universo
ah!... aqueles olhos...
que me olham e eu já não sei quem sou
Aqueles olhos, os quais me perco,
se nem pensar em como voltar.
Os olhos que me fizeram enxergar o amor
que a muito tempo n via...
Aqueles olhos que me fazem ver,
que ainda a beleza na vida.
Ah, meu Deus... me deixa lá, e la que quero ficar,
porque neles eu me perco de propósito
e acho tudo que sempre procurei
naqueles olhos...
só de lembrar já me dispara o peito inteiro
já sinto falta até do que ainda nem vivi