Primeiro encontro
Naquele momento eu me deparei com um anjo em minha frente
pode parecer exagero eu sei...
mas se você estivesse no meu lugar
tenho certeza que a visão que eu tive ao ver aquela garota pela primeira vez,
a vista também o faria delirar
ela tinha...
nos cabelos os cachos mais perfeitos
e um olhar tão brilhante que faria qualquer um sonhar
e um sorriso tão radiante capaz do sol até sentir inveja...
mas não foi só isso.
foi o jeito que o mundo desacelerou,
como se tudo tivesse entendido
que aquele momento precisava durar mais.
foi o silêncio estranho dentro de mim,
como se, pela primeira vez,
eu não precisasse pensar em nada.
e ali eu soube…
não era só beleza.
era algo que não se explica,
que não se mede,
que só acontece uma vez
e muda tudo sem pedir permissão.
e desde então,
mesmo quando não estou olhando,
é como se uma parte de mim
ainda estivesse parada naquele instante.
Ficar um pouco mais
Se você me pedisse pra ficar,
mesmo que por pouco tempo,
eu ficaria.
Não por falta de amor próprio,
mas porque tem pessoas
que fazem o tempo valer o risco.
Eu ignoraria o relógio,
as consequências,
e até esse medo estranho
de me apegar demais.
Porque estar perto de você
não é só estar…
é sentir que, por alguns instantes,
tudo finalmente faz sentido.
E mesmo que depois doa,
mesmo que eu tenha que juntar os pedaços sozinha…
ainda assim,
eu escolheria ficar.
Imaturidade
O gosto do arrependimento
é amargo
e me arrependo amargamente
de ter tomado cada gota
do veneno que eu mesma preparei
na cozinha escura da minha imaturidade.
Eu sou o problema.
Não digo isto para que me consolem.
Digo porque é verdade,
porque a verdade é a única companheira
que me restou depois que ela partiu.
E nem a verdade me quer de verdade —
fica aí, no canto, a olhar-me,
a repetir, com a minha própria voz:
"tu sabias. Tu sabias e fizeste na mesma."
Sabia que a minha confusão era faca.
Sabia que a minha imaturidade era fogo.
E mesmo assim pus a mão,
mesmo assim deixei queimar,
mesmo assim disse "depois eu vejo"
quando o depois já não tinha ela.
Arrependo-me de cada escolha
que parecia pequena na hora.
De cada silêncio que fingi não notar.
De cada vez que ela me olhou
e eu olhei para o lado,
porque o olhar dela me exigia
mais do que eu sabia ser.
Arrependo-me de ter sido
esta versão de mim que eu detesto agora,
esta que só reconhece o valor
quando o valor já foi embora,
esta que só sabe amar
como quem sabe respirar
depois de quase afogar.
E o pior — o pior do arrependimento —
não é a amargura.
É o doce que vem depois,
a memória do doce,
a lembrança de como era
antes de eu estragar.
Porque se fosse só amargo,
eu bebia e acabava.
Mas há este mel no fundo do copo,
este mel que me faz beber o veneno
até ao fim,
que me faz desejar
o que me destrói,
que me faz, no fim,
ser o problema
de novo,
de novo,
sempre de novo.